12 Habilidades para incorporar na rotina do Advogado

Um dos maiores e mais conhecidos episódios da História e da literatura universal é muito citado e por isso aproveitamos para fazer uma referência, ainda que pequena e modesta, ligando-a ao trabalho desenvolvido por nós, advogados, em nossa rotina diária. Muitos certamente acharão um exagero na dose no início, mas pedimos nova reflexão ao final do texto. Nossa referência são os “12 trabalhos de Hércules”, uma série de episódios ligados entre si por uma narrativa contínua relativa à penitência que teria sido cumprida por um dos maiores heróis gregos. Ao contrário do herói, nós, simples advogados, não estamos pagando nenhum tributo por escolher essa profissão, maravilhosa sob todos os aspectos; mas somos exigidos em habilidades múltiplas a cada dia, pois não basta apenas ser um bom advogado, técnico e cuidado com as palavras. Para vencer os desafios impostos, trazemos aqui algumas considerações sobre as soft skills, novas habilidades que estão na pauta da advocacia atual.

Comunicação seria a primeira habilidade de um profissional da nossa e de todas as demais áreas. Comunicação, dizem os especialistas, é tudo. Não há área profissional que despreze esse item. Ninguém vive sem se comunicar, e para reforçar, basta dizer que não se conhece sociedade cujos integrantes deixem de se comunicar, seja entre si, seja com os outros. E aqui vale a comunicação escrita, a boa oratória e, ainda, a habilidade de se comunicar bem para persuadir o outro.

Criatividade é outro item que passou a ser levado em grande consideração. Isso porque se você deixar de ser criativo haverá mais de 1 milhão e 300 mil pretendentes ao seu lugar na fila. O mundo globalizado é mais competitivo, a criatividade pode ser aplicada em cada mínima ação no escritório, seja ao redigir uma petição, dar um parecer ou esboçar uma estratégia para tratar de valores milionários. Ser igual aos outros, oferecer as mesmas soluções e não ter destaque pode contribuir diretamente para a queda de receita do seu negócio.

Colaboração ganha importância porque ninguém é uma ilha, sabemos. Todo profissional deve contar com a colaboração de seu companheiro de OAB, do seu grupo de WhatsApp e daqueles outros colegas com os quais convive no dia a dia. Afinal, vale refletir: quantas vezes foi o seu networking que trouxe um cliente novo, uma solução nova ou um novo desafio?

Organização é uma das práticas mais citadas sempre. Porque se você for desorganizado, enfrentará uma batalha ainda maior na nossa profissão. Para ser advogado, é necessário ser organizado. Mas com uma rotina organizada e prática, a sua capacidade de atendimento será ampliada e os limites de ganhos também. Saber organizar também inclui habilidades outras, como delegar e fazer uma boa gestão do tempo.

Trabalho sob pressão, hoje em dia, é algo do qual não podemos fugir. A essência de nossa profissão é ter prazo para tudo. Mas mais do que os prazos judiciais, sabemos que a expectativa do cliente, essa também é moldada sob pressão e espera por resultado. Como lidar com todos esses elementos de forma saudável, se o advogado não souber lidar com pressão?

E especial atenção à autoconfiança. Em excesso, retira o brilho e afasta o advogado da figura de bom profissional. Mas em boa medida, pode ser a diferença entre aquela atuação mediana ou o destaque, seja qual for a área de trabalho escolhida.

Ser produtivo ou ter Produtividade requer a capacidade de fazer a gestão do tempo e dos recursos disponíveis para que os resultados do trabalho empreendido sejam atingidos com eficiência e com o menor gasto de tempo e energia possível.

Responsabilidade no sentido de ter a habilidade para garantir rigor e credibilidade àquilo que se desenvolve no trabalho. Trata-se de requisito essencial para obter o respeito dos colegas e clientes e, com isso, receber novas missões, desafios e, por consequência, novas responsabilidades.

A liderança é outra habilidade muito desejada em qualquer ambiente de trabalho. Liderar e chefiar são coisas distintas. Enquanto chefiar é ter o mando, imposto de cima para baixo, liderar é ter o comando. Isto é, liderar é ter a legitimidade dada pelo grupo para conduzir um projeto em equipe. Bons líderes colaboram para um ambiente de trabalho motivador e, com isso, tendem a trazer resultados mais positivos.

Adaptabilidade. Nada adianta para o progresso de um empreendimento ter verdades absolutas e sedimentadas. O mundo é fluído e aquele que se adapta mais facilmente está sempre à frente dos demais.

Do mesmo modo e pelas mesmas razões, ter iniciativa é fundamental para a abertura de novos caminhos. Não ser autômato, mas agir para encontrar novos meios e formas. Trata-se de uma armadilha perigosa acreditar no “em time que se ganha, não se mexe”. Esse ditado equivocado pressupõe que o mundo é estático e que os “times adversários” permanecerão sempre os mesmos.

E, por último, para ficarmos na mesma quantidade de habilidades em relação aos trabalhos de Hércules e, talvez, a soft skills mais poderosa de todas, falamos sobre inteligência emocional. Foi o tempo em que se acreditava na razão como única bússola confiável para o sucesso. A razão, por si só, sem o controle das emoções, pode nos levar à caminhos equivocados e desastrosos. Se não houver a capacidade de fazer a autogestão emocional, de cuidar do grupo e das emoções que permeiam qualquer relação entre pessoas, desperdiçaremos nossos próprios talentos e arruinaremos projetos e equipes com grandes potenciais.

Para concluir, é importante pontuar que todas as soft skills podem ser desenvolvidas por qualquer pessoa. Algumas já temos como atributos de nossa personalidade, mas sempre há espaço para melhor desenvolvê-la. Outras podemos ter enormes dificuldades em adquirir, mas nada é inalcançável para quem possui a vontade de se tornar melhor a cada dia.

Pode ser sim um trabalho hercúleo, mas vale muito a pena encará-lo. Aceita se desafiar?

Juliana Chinem – Advogada, Palestrante, gestora do escritório Bernardi & Schnapp Advogados. Mediadora certificada pela ESA OAB/SP. Diretora Adjunta da Comissão de Gestão de Escritórios da OAB Jabaquara. Autora do livro “Coaching de Oratória” em 2ª edição pela Ed. Matrix e coautora do livro “Manual de Coaching para Advogados” pela OAB/ESA São Paulo, dentre outras obras. Palestrante em eventos da OAB, ABA, Fenalaw e Seminários da área Jurídica.

Antônio Ricardo Miranda Júnior – advogado e gestor, foi presidente da OAB Jabaquara por dois mandatos (2013/2018) e secretário-geral da CAASP (2019/2021). Integrante da Comissão de Gestão de Escritórios da OAB Jabaquara.